21 maio 2006

trovas e mais trovas...


Transito livremente da trova ao poema concreto,do soneto ao poetrix,do haicai ao cordel.Meu avô materno, Luiz Máximo,jornalista que era trovador e repentista,ensinou-me a amar as trovas.Aos sete anos,aprendi a metrificar,sentada no seu colo.Ele gostava de conferir a métrica,batendo com os dedos na mesa.Já idoso,quando foi ficar conosco em Bicas do Meio(hoje Wenceslau Brás),pedime que verificasse a contagem silábica de seus sonetos e trovas.Lembro de um cordel,que começava assim-e tento achá-lo com outras pessoas da família:
"Caro povo brasileiro
me preste toda a atenção
para a história de um vaqueiro
que se passou no sertão.
Era um moço verdadeiro,
pobre,mas de gente honrada(...)"

Gosto de métrica,embora seja através de versos livres que a Poesia aconteça em forma de derrames,na minha vida.Meu avô paterno era maestro e quando eu passava por natal(RN),pequenina, ele me pegava pela mão e me levava ao bar,solfejando,primo de João pessoa,muitas vezes, tocou no palácio.Gostava da brasileira cana e as tias ficavam indignadas porque a nora,mamãe,o deixava me levar ao boteco.Ela achava graça,pois sabia o quanto ele era carinhoso comigo.Depois, qdo iam buscar-me,eu estava sentada no balcão,saboreando doces,enquanto ele solfejava as peças que tocaria.Deve ter nascido daí meu gosto por doces,acrescido ao fato de mamãe ser boa doceira,além de parteira.

Hoje,quero colocar minhas trovas sobre os chamados "loucos".

"Muito louco, no hospício,
faz assim tanto escarcéu,
por ter passe vitalício
nos auditórios do céu"...

Por ouvir vozes "de fora",
quantos loucos, conectados,
com o Alto, sem demora,
são deste mundo afastados...

>>>***<<<

Com lucidez peculiar,
quantos "doidos são mais certos,
que os que pensam acertar
e se julgam muito espertos...

><*><*><*><*><

Parecem falar sozinhos,
os dementes, todavia,
traduzem, dos passarinhos
os recados e a magia...

***<>***<>***

Deve-se amar aos doidinhos
-são filhos de deus também
agem quais os passarinhos,
não fazem mal a ninguém...

(Do poster e do e-book Paná-paná,Chuva de Borboletas).

Meu pai,Lourival Pessoa da Silva,sempre nos levou,pelo exemplo,a não ter medodos insanos,dos loucos mansos.levava para mamãe alimentar alguns,Em Juiz de Fora,no Bairro Mariano Procópio,onde moramos,havia um que ficava,com ele,em nosso jardim da Rua Duarte de Abreu, a cantar:

"Almofadinha
come tripa de galinha
e vai dizer prá namorada
que comeu macorronada"...

Com papai,aprendemos a rir com eles,nunca deles.