21 maio 2006

Dois estranhos sob o plenilúneo

Respiravam profundamente.Os tecidos,mui lentamente,se preenchiam de invisível aroma.Tudo crescia,inchava.Os humores do corpo,escapavam dos poros...
De lá do Alto,o plenilúneo descia e redourava as peles ao ar livre.
Riquíssimos de desejo,saciados de gozo...Intermitentes canções que se evolavam a a partir de murmúrios e,num crescente,se tornavam uníssonas.
De um lado, o som grave, em arrancos fortes,de gozo do macho.De outro,a dulcíssima canção do verdadeiro orgasmo feminino...
Dois corpos que sabiam usar o corpo do outro.O próprio corpo.Nenhum perdia tempo em esperar que o outro,lutasse para satisfazer quem pedia.
Maduros-frutas prontas depois da solene fecundação...
Agora,o vazio pleno.
O relaxamento porejado de suor perfumado,a lassidão deliciosa.Os sumos a escorregar pelas pernas distendiadas...
Cada um,depois de mil afagos de reconhecimento e gratidão pela doação de um saber milenar,instintivo,mas altruísta e egocentrado,simultâneamente,recolheu a poeirinha de estrelas que ficou no ar,e a jogou dentro da própria alma.E ainda salpicou um pouco sobre a pessoa a seu lado-ambos se olhando com olhos de re/conhecimento.
Somente então,cada qual virou-se para o outro lado e adormeceu um para dormir um sono especialíssimo.Amanhã.Perguntariam ao doador,da energia intensa,qual era o seu nome...

Clevane Pessoa de Araújo Lopes,Belo Horizonte,maio/2006,série prismas de minicontos.

2 Comments:

Anonymous poesía mexicana said...

Me gusto mucho vuestro sitio, me gustaría que vieras el nuestro de poesía mexicana

6:56 PM  
Blogger IVAN PETROVITCH said...

parabéns pelo seu blog!!!
http://ivanpetrovitch.blogspot.com/

10:31 PM  

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