Clevane de Asas

02 julho 2006

Poêmica,de A.A.Assis & Assuntos afins

Recebi,há algum tempo,o livro "Poêmica",do Poeta e especialíssimo trovador A.A. de Assis.De tal forma o livro me impressionou de maneira favorável e contundente -já na capa,o chamamento é instigante:"A palavra é uma parábola"-que fui relendo,saboreando,num processo de en/cantamento pleno.
A forma com que dispõe os versos,é similar às maneira com que eu disponha os meus,nos Anos Sessenta e Setenta:palavras e frases entrecruzadas,na vertical e na horizontal, nesta sua lavra,um lúdico mas denso conteúdo.
A plurivertente de sua verve é fantástica:lida com a mesma facilidade com a Poesia concreta,o haicai,o verso livre e chega à sua paixão,as trovas,qual um patinador experiente que não leva quedas,a patinar seguro sob música inaudível,senão a seus ouvidos,mas adivinhada pelo leitor.

O cotidiano é derramado com a simplicidade dos grandes poetas:

"É sexta- feira,véspera de folia.
Lá vai Maria ,
lá vai lavar em lágrimas
a vida de vida,
sofrida vida dividida
em dívidas e dúvidas "(...)

Vejam que situ/ação absolutamente atemporal para o brasileiro:cabe em muitas circunstâncias e épocas.Fiquei agradavelmente surpresa porque tenho também uma antiga poesia e uma crônica que começam "toda a vida,ávida"(...).Por isso se diz que os Poetas andam com a cabeça nas nuvens:padecemos de uma encantadora sintonia com o Alto...E quando ocorrem similaridades,como diferem das tentativas grosseiras de plágio!
Assis adora trocadilhar,ilhar a palavra em paralelismos semânticos,fazer istmos notáveis ou separas terras provocando quebra de sentido da Semântica,numa riqueza de significantes e significados.Basta dar uma breve olhada em versos aqui e ali:


"(...)o saxofone,saque-sem-fundo(...)



(...)"A alegoria,onde a alegria?"(...)


(...)"o trilo do apito
o grito do aflito
o confete,o conflito"(...)


Dos muitos achados concretistas, a segunda poesia:

2.

O

amor fez o
h
o
m
e
m
do barro.

Do barro o homem fez o tijolo
e ao
tijolo
outros
tijolos
juntou.

E fez o m
u
r
o
que do amor o separou."




Tenho uma dos Anos Sessenta,que se chama Arquitetura e diz:


Quem diriA
M
O
R T
que aquEla
R
N
U
R V
ARQUITETADA EM MIM
R
I
FAZER

CASTELOS EM
I?...


Lembro-me de,mocinha,em Juiz de Fora,no NUME ( Núcleo Mineiro de Escritores),mostrar tímida ,ao ídolo trovador, Hegel Pontes,e ele,tão circunspecto quanto eu,dizer duas vezes "Genial...genial!"...E me explicou,com sua habitual filosofia de vida,que,com poucas palavras,eu construíra uma história,um processo amoroso,este sempre raiado de perplexidade...Como não fico vaidosa,mas contente quando gostam do que escrevo,saí de lá,nas nuvens.

Depois que voltei a Minas,chegando do Pará,ligava para ele e sua memória,fascinava-me.Declamou até a trova que os trovadores fizeram,quando passei,de noiva,por eles,na nave da igreja da Glória,para casar-me com o Messias da Rocha,também trovador e meu colega de redação na Gazeta Comercial.Eu era tão mignon,que disseram algo sobre a minha passagem "etérea" -ah, preciso ligar novamente para ele e copiar essa preciosidade.

Volto a Assis,cujo livro de capa azul está bem à minha frente.Digo que todos que apreciam a poesia verdadeira,devem lê-lo(o e-mail do Poeta é alw@mgalink.com.br),se buscarem o resultado da inspiração pura e genuína.

Alguns minipoemas:

7.

"Quantos mil anos:
do paraíso
ao luxo/lixo
urb/ânus."


11.

Lá vai o velho
des-den-ta-do
a esmolar
ex
molar
esmo
lar.


49

Receita
contra
fadiga
ponha
um pouco
de cigarra
no seu
labor
de formiga.


E por aí vai.

Comovo-me ao reencontrar-me em sua poética Poêmica,nada anêmica,mas sistêmica.Palavras de minha coleção encantada,idéias ,ritmo.Isso agora e desde a primeira leitura demonstra porque ,através da internet,sem nunca tê-lo visto,o senti irmão em poesia.Para ele,brota-me:


Os versos e achados
de Assis
são anis,
aroma de chafariz
contínuo
ao nariz
da alma
de quem o lê,
en/cantada.
Pó de ouro
em poalha
de sol,
suspensão
que atalha
o caminho
do tudo e do nada
que leva a cria/tura
ao Criador.
Assis,
que re/cria-a-dor
que re/a-li-nha
a tessitura
do amor
a tece/dura
do manto
macio
e colorido
da vida:
mantra
que se repete,
canta,
para sobre/viver...

Mas tenho de fechar com trova,pois sua excelência justifica as tantos premiações em Jogos Florais.Escolhi uma preciosidade(para mim,que amo as aves,e pretendo entender de casais,uma trova especialíssima):

"Querida,eu comparo a gente
às asas de um passarinho:
um sem outro,certamente,
não se equilibra sozinho!"

(O que por certo justifica Assis e D.Lucila,sua esposa,viajarem juntos para que ele receba seus merecidos premios)

Clevane Pessoa de Araújo Lopes.
Belo Horizonte,02/02/06

N:Aguardem mais,,pois é impossível parar:trata-se de uma resenha sequêncial...

28 junho 2006

"Tancredos",amanhã,em belô,no "Pau e pedra"


A banda Tancredos,nova formação da "Tancredo não morreu",está com novo vocalista,novo batera.O vocalista é filho do "Sá",da Sá e Guarabira:Tomaz Sá,um rapaz de belo porte e bela voz(foto ao lado).
A princípio,o baterista seria o conhecido Adilson(Xiló).O contrabaixista Allez pessoa(*) exoplica as mudanças:

Email this photoPermalink to this photo06/24/06

"Trocamos de batera!!

Eu explico:

Na verdade ainda não definimos um batera fixo, o Xiló infelizmente não vai poder fazer no dia 29 por motivos pessoais. Então o Juliano Bolson assumiu as baquetas( tomara que definitivamente)...

Assim como o Xiló, o juliano é desses bateras que a gente confia...Toca muito esse cara!! Já tocamos em vários projetos juntos e posso garantir que esse cara é uma verdadeira enciclopédia musical, parece que conhece todas as músicas do mundo!!

Outro detalhe da foto que vcs devem ter reparado é a logomarca:

Bem, essa é a logomarca oficial da banda foi criada pelo talentoso designer Marcos Loureiro, que dentre outras coisas também é o guitarrista da banda Enjoy.

Eu achei que a marca ficou muito linda, espero que vcs tb tenham gostado"(...)

Mais fotos e dicas:




http://www.fotolog.com/photomusicas

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A Tancredos vai se apresentar, amanhã,29/06/06,no Pau e Pedra(Av.Getúlio Vargas,489,Funcionários),onde Allez pessoa tem organizado muitas festas-muitas pessoas têm comemorado aniversários com boa música e grupos do Orkut(Orkontros) vão curtir a noite e se conhecer,se reencontrar,tornando-se assim um "point" especializadoem reuniões de boa classe.
Informaçõpes:31 32842397,
A Tancredos estará abrindo o show da "Alívio Imediato".Também se apresentará o Rafael Furst,músico da capital mineira que há anos,vem dando o seu recado e Alexandre Damata,conhecido guitarrista.

Contato:tancredonaomorreu@yahoo.com.br

Aqui,mais plá sobre a formação da banda:

"Mudança no nome e na formação - Leiam!!%2

27/06/2006 12h15
Jadir Ambrósio e Mestre Conga na Stereoteca do Teatro da biblioteca Estadual-BH
Sobre Mestre Conga;


Qdo fui convidada a fazer o encarte do Cd ,(leia-se Júlio Rosa ),procurei no Google e em outros sites de busca,o nome "Mestre Conga" e encontrei-o apenas na lista dos projetos aprovados pela Petrobrás.O projeto de Júlio,visava a discografia.
Entrevistei-o pessoalmente,conforme o escrito abaixo,postei em meu blog,enviei para meus grupos e listas naInternet,recebi dezenas de e-mail comentando a vivacidade do artista,o site da editora Guemanisse mandou pedir autorização para colocá-lo,jornalistas da capital mineira me ligaram pedindo seu telefone,reportagens saíram nos principais jornais da cidade,Mestre Conga está em vários eventos-sempre esteve,mas não alardeavam como ele bem merece...Da Terça Poética às páginas dos suplementos de Cultura.
Fico muito feliz.
Gostode saber que uma pequena semente,lançada porém com zelo,a entrevista abaixo,abriucaminhos,assim como o projeto aprovado pela petrobrás(
Vejam na foto,a expressão de alegria esfuziante do velho sempre novo compositor e sambista.
Não tenho mais notícias do projeto,mas quando o Cd sair,quero guardá-lo-e ouví-lo,pois marcou uma circunstãncia exemplar em minha vida de pessoa e psicóloga ,além de repórter:ver ao vivo o quanto uma ocupaçãoprazerosa enche de vigor qualquer idoso...
Li no caderno "Cultura",do jornal Hoje em Dia(24/05/2006).que Mestre Conga estará,com Jadir Ambrósio,outro veterano ,no dia 19 dejulho,no Teatro da Biblioteca Pública estadual(que fica na Praça da Liberdade,aqui em Belo Horizonte).
Esse ótimo projeto,denominado "Stereoteca,produzido por Danusa Carvalho,Wagner Merije, e Keila Monadjemi(um dos curadores desse projeto é o KikoFerreira,diretor artístico da Rádio Inconfidência.A Inconfidência ,comemora seus setenta anos de existência e no cesto comemorativo,está a cita Steroteca) teve início no último dia de maio pp.
Até setembro,já os nomes estão listados.Vou colocar,de julho em diante;

19/07:Mestre Conga e Jadir Ambrósio.
26/07:Renegado e Alexandre cardoso.
02/08:Pexbaa e Babilak Bah
09/08:Os Caras e Vander Lee.
16/08:SOS Periferria e Arautos do Gueto
22/08:Corta jaca e Auzier Vinicius
30/08:Khristoff Silva e Alieksey Vianna
06/09:DJ Roger e Makely Ka
13/09:Elisa Paraíso e Dona Jandira
20/09:Carlo Ed e Titane
27/09:Kiko Klaus e Chico Amaral.

Segundo falou a Alécio Cunha,na cita primeira página de "Cultura",Keila Monadjemi sinaliza que o espaço do teatro na Biblioteca Municipal,a seu gosto,deve ter "uma vocação musical".O projetopretende entrelaçar os veteranos aos nomes novos,o que será por certo,enriquecedor para o cenário musical mineiro.Ritmos como samba e choro,estarão tendo o mesmo espaço que o hiphop,o rap e quaisquer outros gêneros musicais.Vem de encontro ao que penso que detesto quandoalguém repete a metáfora "não li e não gostei",pois temos de ir,ver,ler,saber,para depois nos decidirmos por nossas prioridades e apreciações.E todo artista merece aplauso,do mambembe ao renomado.Todo gênero artístico deve ser conhecido.Fora preconceitos:o mundo é um grande leque de opções...






Texto de Clevane Pessoa Lopes, para encarte CD(setembro,2006,após entrevista)

MESTRE CONGA

José Luiz Lourenço,-o Mestre Conga-oriundo de Ponte Nova,cidade mineira,ainda criança,é a história viva do samba em Belo Horizonte.Participou ,mocinho ainda,dos primórdios das escolas de samba,que originaram,de maneira direta ou indireta, as atuais.Agora,octogenário,faz parte,na UFMG,da Faculdade do Samba,onde a velha guarda busca ensinar às novas gerações,as manhas do ritmo.
Figura bastante marcante,possui memória invejável,nomeando pessoais e datando acontecimentos com precisão.Seu apelido foi-lhe dado por colegas do Grupo Escolar Flávio dos Santos,quando participava,com o irmão,Oswaldo Luiz, da Guarda de Conga N.Sra.do Rosário,que era coordenada por “Antonio Grande: tinham de amarrar latinhas de massa de tomate nas pernas,para conseguir a necessária percussãoOs colegas,quando apareciam,apontavam:”olha os Congas”....Também foi essa iniciação que gerou nele o gosto pela dança,uma paixão,pelo público em redor,uma necessidade.
Mestre Conga gostava muito dessa atividade,desempenhada depois que iam para o serviço do pai,braçal,na lavoura.Conta que a mãe era dona de casa,ambos analfabetos.Dançavam o congado,habituando-se aos espectadores,que ficavam espiando a função.Ele fazia os passos,agachando e levantando.”A Conga,conta-me o mestre,música oriunda da América Central”foi proibida durante a Ditadura”-como tudo que estava relacionado a Cuba..Dançava como vassalo e no início, era acompanhado quase por toda a sua família,tios primos,restando por fim,o irmão e ele.O pai não gostava da Conga e sim de “dançar,ao som de sanfoninha de oito baixos”.Um dia,Seo Antônio,o capitão da Guarda,aborrecido com o adolescente,mandou-o para casa descansar.Ele não voltou mais.
Com treze para catorze anos,jogava futebol,em times que eles mesmos,da comunidade,formavam.Com a elasticidade adquirida na dança,por certo levava bem a bola.Logo,passou a se interessar por dança de salão,no Rádio Dançante Clube.Esmerava-se de segunda a sexta-feira, das 20 às 23 horas,mas ele e os amigos,não podiam freqüentar os bailes de domingo,por serem “de menor”.
Com quase dezessete anos,perde o pai.A mãe não consegue ter a mesma autoridade e dá mais liberdade aos jovens.No barro preto,havia um clube chamado “Original do Barro preto”freqüentado por pessoas mais escuras e humildes,conta.Havia outra casa dessa ,o “Original de Santa Efigênia”.
Nos Anos Quarenta,logo após a II Grande Guerra Mundial,sai na Bateria da escola de Samba “Surpresa”,que funcionava onde depois se instalou o Sindicato dos Tecelões em Belo Horizonte:
-“Ensaiávamos lá mesmo,no miolo da pedreira,à luz de lamparinas,já que não havia como usar eletricidade.”
Foi nesse local que surgiu a Primeira escola de samba da capital,fundada por Popó e Chuchu(1938).Popó era Mário Januário da Silva.Chuchu,José Dionísio de Oliveira.Antigamanete,denominados “Maiorais”.Mestre Conga fala sorridente e brandamente,com precisão,faz questão de nomear as pessoas.Na verdade,é a história viva do samba belorizontino ,legítima testemunha de todas essas décadas.Mestre Conga,fiel à verdade,diz que ,apesar de jamais ter sido componente da “Surpresa”,acompanhou-a muito,nas batalhas de confete,tão usadas na época.
A “Surpresa” era uma remanescente da “Escola de Samba Pedreira Unida”.Posteriormente,houve uma cisão entre Popó e Chuchu,”um racha”,explica.Popó,que era pandeirista da rádio Inconfidência, então,criou,na Barroca,bairro da capital,sua própria escola e,”por gozação,ou para irritar”,chamou-a de “Escola Primeira de Samba”.Chuchu,por sua vez,era tamborinista da Rádio Guarani.Os dois tocaram com muita gente famosa em sua época, como Geraldo Tavares,o Cancioneiro,Paulo César de Aguiar.
O jovem Mestre Conga,então volta para a gafieira.Nessa altura,ganhava a vida como sapateiro.Conta que afetou a vista direita, numa fábrica de calçados,ao colocar um rolo de arame em uma grampeadora .
Adora dançar desde mocinho dançar.Rememora sempre os conhecidos de sua época.
Nessa ocasião,conheceu uma grande sambista,que representou,para o samba da capital mineira,o que Tia Ciata foi para o samba do Rio de Janeiro.D.Lourdes Maria de Souza,conhecida como ”Lourdes Bocão”,mãe do “Nenê da Bateria”.Até hoje,aos noventa e quatro anos de idade,ela ainda sai na “Inconfidência Mineira”. Na gafieira, conheceu Plínio Saxofonista e Zé Luiz do Trombone,entre outros.Já do pessoal das rádios,a partir de 1958,conheceu Rui Martins,Maestro Ofir Mendes,o pandeirista e compositor Jair Silva,o Maestro da Rádio Inconfidência Moacir Pontes,o Maestro Dele(José Brás de Oliveira),já falecidos.Cita tr se encontrado,no Rio de janeiro,o maestro e pianista Guio de Moraes ,fala de Jadir Ambrósio,compositor.
Mestre Conga começa então a compor.Explica que ,à época,compunha-se apenas um verso,numa espécie de mote e os demais iam atrás,improvisando versos.A roda de samba era o que hoje chamam de pagode,acentua.
Da gafieira,através dos companheiros passistas,de escola de samba,em 1946,estreou na Surpresa,a cita remanescente da Pedreira Unida.Fazia seus próprios instrumentos,e por certo a profissão de sapateiro o ajudou a criar seus próprios tamborins.”Era jovem,dezessete anos,gostava de desfilar.”Em 1947,por motivos de paixão por alguém,deixou-se levar por um “Maioral” um fundador da Escola de Samba Remodelação da Floresta”,Ildeu Amaral da Silva.Nessa época, muita boa,teve início “verdadeiramente,a amor pelo samba.”
Dois concursos o marcaram muito, o da “Rainha do samba”,promovido pela Rádio Inconfidência,e o Concurso “Cidadão do Samba”,promoção dos Diários Associados,Estado de Minas,Diário da tarde e Rádio Guarani.Foram o “ponto alto” do carnaval deBelô.Em 1948 com pouco menos de 21 anos,foi o ganhador-e como cidadão do samba,”não parou mais”.Samba-enredo,algo mais elaborado,teve início,na capital mineira, de 1956 para cá.Então,passou a escrever letras mais completas.Sua Escola, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Inconfidência,para ele “muito querida,é a mais antiga, a mais pobrezinha”,afirma.Resulta de uma cisão da “Remodelação da Floresta”:ele,companheiros como Lourdes Bocão,Fefeu.Cici,Arroz,Severino,Silvio Porciano,Amintas,Alírio de Paula,além de familiares também engajados na nova escola,ensaiam até hoje,no terreiro de sua casa,no bairro Concórdia.
A partir daí,tomou gosto em escrever o samba de uma estrofe,improvisando o restante da composição, desse ano em diante(1956)-“Agora,a escola de samba deve apresentar sambas enredos inteiros,com alegorias”,explica.
Para Mestre Conga, o auge do carnaval na capital mineira,aconteceu na gestão do Prefeito Maurício Campos.O último bem administrado,foi na do prefeito Ferrara,em sua opinião.Agora,acredita que o desfile vai melhorar,com a promessa do sambródomo.
Gosta de todos os seus sambas,mas acredita ser o mais bonito um chamado “A Saga dos Índios na Terra das Gerais,que está para ser gravado pelo pessoal da “Faculdade do Samba”,que reúne a Velha Guarda na UFMG.Mestre Conga também acontece nos saraus do centro Cultural S.Bernardo(Lagoa do Nado).E sempre está proto para apresentações.
Este jovem octogenário,gosta do samba porque ele o mantém,”em movimento”e da confraria a que pertence,a de S. Vicente de Paula”.Claro,de futebol e de arte afro.Também sai todos os dias e cita :”melhor andar à toa,do que ficar à toa”,uma ds máximas de seu pai..
Para o carnaval de 2006,concorre com um samba-enredo, chamado “Petrobrás,Um Sonho Que Deu certo”.Diz que o é preciso sonhar:”O cidadão,o ser humano que pensa e tem um pouco de vaidade,está sempre sonhando”.Sente-se grato pelo projeto aprovado:”Veio como um presente de Deus,que inspirou ao Júlio César Coelho Rosa fazer esse projeto,sobre minha pessoa...Eu não esperava que,depois de velho,fosse ser assim útil,para ele ganhar a aprovação.Fico lisonjeado e satisfeito.Fui criado em família muito humilde e mesmo tendo perdido meu pai muito cedo,nem por isso me prostituí ou marginalizei.Chegando aos setenta e oito anos,pretendo encerrar a vida da maneira como sempre fui e sou:embora simples,tenho dentro de mim a vaidade que simboliza a auto-estima”.
Mestre Conga recebeu o título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte,agraciado pelo “saudoso vereador Francisco Alves,depois Secretário de admnistração da capital mineira”.Pensa que,de seus momentos inesquecíveis,ter sido eleito “Cidadão do Samba”,em 1948,foi o momento mais significativo:”Me senti quase como um imperador”,entrega.Quandoa escola logra os primeiros lugares, a emoção é enorme,muita alegria,espera que ainda alcance novamente essa colocação.
Esse eterno “ Cidadão do Samba,de Belo Horizonte,posando ,no Palácio das Artes,para uma sessão de fotos,satisfeito e natural,revela no brilho dos olhos, que valeu a pena a espera pelo reconhecimento de sua trajetória.

Clevane Pessoa de Araújo Lopes
Escritora e psicóloga
(01/09/2005)



Texto resultante da entrevista,que aconteceu no Palácio das Artes,sem nenhum sinal de cansaço pelo velho sambista.Quando nos despedimos na porta,ele seguiu e ao atravessar a Av. Afonso Pena,virei-me para olhá-lo.Andava lépido,como se dançasse,como se ouvisse música...
Clevane Pessoa de Araújo Lopes
Belo Horizonte,05/08/2005



13/09/2005 20h26

MEU ENCONTRO COM JADIR AMBRÓSIO

Em 27 de junho de 2006

Há pouco tempo,no evento Poesia Abraça a música,que reúniu no Teatro Chico Nunes,37 músicos,musicistas e poeta,declamadores e performáticos, conheci Jadir Ambrósio.

Deu-se que peguei um táxi e cheguei ao Parque Municipal, onde se situa o referido teatro Francisco Nunes.
Pelo portão que dá para a Av Afonso Pena, entrou perto de mim, uma leva bem variada de pessoas, de várias idades,pois escolas mandaram seus adolescentes.
Ao descer a rampa, vi os que esperavam por algo ou alguém e, pelos vidros do hall, os que lá estavam.Fiquei por uns momentos breves,sem saber como proceder,pois ia me apresentar e sempre fôra lá como expectadora ou representando a Casa da Criança e do Adolescente,que coordenava,no HJK.Perguntei pela entrada dos artistas e o Jadir ,que já havia feito o mesmo,andou ligeiramente atrás de mim.Descemos a rampa e virei-me para conversar com ele.Negro alto e elegante,de cabelhos em capulhos de algodão,sorriso aberto.
Contou-me que seu acompanhante não viera,por isso,nãoia poder se apresentar."Que pena",eu disse,com tantos músicos,um deles não o acompanharia?"Ele se espantou.explicando que é preciso ensaiar.O que bem sei,pois sou mãe de músico e sei a importância da perfeita harmonia entre os músicos ,para os números apresentados...
Nos bastidores,camarins e coxias,todos os procuravam.
Eu andava a ver conhecidos e num momento,aproximei-me ,a tempo de vê-lo,bem baixinho,enquanto dava seus passos,cantar uma das músicas que defende.
Em vez de irritar-se acintosamente,se ficou frustrado por não aprecer para o grande público,Jadir Ambrósio tratou foi de proceder conforme a sua essência:ser artista.E o aplaudimos sem fazer barulho,o que fez brotar um grande sorriso no seu rosto quase sem rugas.
Benditos sambistas!
Quem puder,vá vê-los,Jadir Ambrósio,e Mestre Conga,conforme salienta Aécio cunha:da seara do samba mineiro(19/07) no Teatro da Biblioteca municipal.às vinte horas,sempre ás quartas feiras,como também aos demais artistas...


13/09/2005 20h26
Mestre Conga,Press release
Mestre Conga
◊◊ Press Release ◊◊

A Petrobrás, entre muitos outros projetos, escolheu o de Júlio César Coelho Rosa, que visa promover a história do mineiro José Luiz Lourenço, mais conhecido como Mestre Conga.O apelido, o sambista traz da infância, quando pertencia a uma Guarda de Conga. O autor do cito projeto visa resgatar, através da própria história desse personagem, a história do Samba e do Carnaval de Belo Horizonte.
Oriundo de Ponte Nova,nascido em 1927 onde o pai era lavrador, cedo Mestre Conga, sempre fascinado pelo ritmo, entrosou-se às gafieiras e posteriormente às escolas de samba.
Em 1948,o jovem artista recebe o título de Cidadão do Samba, que até hoje, lhe cai como uma luva. O concurso,um dos pontos altos do carnaval da época,era promovido pelos Diários Associados:jornais Estado de Minas,Diário da Tarde e Rádio Guarani,contraposto ao da Rainha do Samba,organizado pela Rádio Inconfidência.
Como exerce a profissão de sapateiro, quando convidado para integrar os percussionistas da Escola de Samba “Surpresa”,como tamborinista,ele próprio confecciona seu instrumento.
Mestre Conga narra que os samba-enredos eram feitos coletivamente: fazia-se um mote,cujos versos, nas rodas de samba, segundo ele, a mesma coisa que os “pagodes” de hoje, eram seguidos pelos compositores. O “samba de estrofe”, somente teve lugar “de 1956 para cá, explica”.
Lépido, sorridente,dono de memória privilegiada,faz parte, com outros veteranoas,da Faculdade do Samba da UFMG. Sua escola atual é a “Grêmio Recreativo Escola de Samba Inconfidência”, cujos ensaios acontecem no terreiro de sua casa.
Mestre Conga terá, como ponto alto do projeto, o lançamento do Cd “Decantando em Samba”.

Clevane Pessoa de Araújo Lopes
(dados obtidos em entrevista)
Publicado por clevane pessoa de araújo em 27/06/2006 às 12h15
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Copyright© 2005 by ClevanePessoa. Todos os direitos reservados, em 28.06.06

Fogo e Serragem



27/06/2006 19h19

Fogo e serragem

Às vezes, sinto-me sem vontade
de tudo e de nada.
Amorfa,
moldo-me aos moldes
dos desejos alheios.
A dor, camuflada.
Os gemidos, sufocados.
Agonizo, molhada:
serragem
Às vezes,
embaixo de cinzas,
crepito, aqueço-me,
e em labaredas, refaço a luz
antiga,
subitamente.
Ardo,
em cadeia,
acendo tudo mais
que há por perto.
Incendeio, fogo em jogo
lúdico, atroz...

Clevane Pessoa de Araújo Lopes
in "Sombras feitas de Luz", Editora Plurarts - Belo Horizonte,MG)

Republicado por clevane pessoa de araújo em 29/06/2006
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Dos Amores e desamores


DA PERPLEXIDADE AMOROSA


Há muitos amores fatais:
O amor de gafanhotos
devora depois da posse...
O amor de abelha rainha
após a fecundação
elimina o companheiro...


Mas há animais fiéis:
a borboleta encortina
depois de fertilizada
a sua passagem estreita...

Sempre que uma arara morrer,
o seu par vai se atirar,
de um lugar bem alto,asas
coladas ao corpo,
pois não quer mais poder voar.

Quanto aos humanos,exemplos
iguais e multiplicados,
aos dos animais ocorrem...
Ao longo de minha vida,
soube de amores eternos.
E sei que todos buscamos
nossa metade perfeita.

Incansáveis,perseguimos
quem nos ame de verdade,
Às vezes nos confundimos,
somos amados apenas,
sem sabermos retribuir
e noutras,apaixonados,
precisamos desistir
pois o outro,nem nos percebe.
Devemos substituir,
então,por amor amigo,
companheirismo no abrigo,
toda paixão inalcançável
que em vão tentamos medir...
E nadamos nessas penas,
caídas do céu no chão.
Não voam e nem são água não
-remédio que não se bebe
mas alivia o coração...

27/06/06,para Júlia,depois de ouvir sua história.

Belo Horizonte,MG,Br
clevane@yahoo.com.br



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29 maio 2006

Tancredo Não Morreu

A banda belorizontina "Tancredo Não Morreu",nome obviamente em homenagem ao velho político mineiro,apresenta-se dia Primeiro de Junho no "Pau e Pedra",agradável casa de shows,no bairro Funcionários(Av.Getúlio Vargas,489,Funcionários).
No repertório,clássicos do Rock brasileiro dos Anos 80.
Os componentes são músicos experientes:
Nando Araújo(voz e guitarra)
Daniel Mariano(voz e guitarra)
Fernando Kim(bateria)
Alessandro(Allez Pessoa):contrabaixo.
Imperdível.

28 maio 2006

Trovas sobre Aleitamento e IX ENAM

Trovas sobre Aleitamento
Carmen:Sempre gostei muito da trova do José carlos de lery Guimarães,advogado,radialista e professor da faculdade de jornalismoda UFJF,já falecido:

Leite em pó para o bebê,
contém tudo em forma pura:
vitaminas A e D,
mas falta o melhor:ternura...

(José Carlos de Lery Guimarães,Juiz de Fora,Minas Gerais,Br)

E essa ,das minhas:

No aleitamento materno,
a ligação da mãe ao filho,
produz um amor bem terno
com o qual me maravilho!

Clevane Pessoa Lopes(BH,MG)

Bjs.
Clevane

N:Adorei essa idéia,do trovador estar presente emevento de tal importãncia(já participei de vários,até comopalestrista,pois trabalhei em hospital e comprojetos preventivos.
Tenho muitas outras...


carmen pio escreveu:
"Queridos Irmãos Trovadores

Estamos aqui para convidá-los a participar com suas trovas no IX ENAN –
Encontro Nacional de Aleitamento Materno. O encontro ocorrerá aqui em Porto
Alegre, entre 03 e 06de setembro, para o qual fomos convidados a fazer um
Recital de Trovas, o que nos agradou muito e nos deixou muito felizes, tanto
pelo tema, como pela oportunidade de divulgarmos nossa Trova em meio a um
assunto tão belo e tão especial, que contará com muitos profissionais de
diversas áreas e de diversos países. Contamos com a contribuição dos
Trovadores, tanto do Brasil como daqueles do exterior que têm mantido troca
e contato conosco.
Aguardamos as colaborações, agradecendo a todos por suas constantes e
generosas participações.
Um grande e carinhoso beijo.
Boa semana!

Carmen Pio
UBT – Porto Alegre


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Porto Alegre sedia
Encontro Nacional de Aleitamento Materno

Foi lançado em maio, durante o 18º Encontro da Municipalização da Saúde, o
IX ENAM – Encontro Nacional de Aleitamento Materno, que acontecerá em Porto
Alegre de 03 a 06 de setembro deste ano. O Encontro tem por objetivo
consolidar o direito humano à amamentação em benefício não apenas das
crianças, mas também da mulher, das famílias e da sociedade como um todo. O
ENAM acontece a cada dois anos e é promovido pela IBFAN – Rede Internacional
em Defesa do Direito de Amamentar, associada a grupos de apoio à
amamentação. O evento abre um espaço para troca de experiências,
atualização, reflexão e debate sobre o aleitamento materno, sua importância
para a humanidade e a responsabilidade dos diversos atores sociais no seu
sucesso.

O evento contará com a presença de mais de 100 palestrantes nacionais e
internacionais, sendo esperados 1.200 participantes entre: órgãos
governamentais, políticos, Organizações Não Governamentais (ONGs),
universidades, movimentos sociais, pesquisadores, acadêmicos, profissionais
de diversos segmentos (saúde, educação, assistência social, entre outros) e
artistas nacionais e internacionais. As atividades previstas para o ENAM são
cursos à distância (EAD) e presenciais, conferências, mesas redondas,
oficinas, apresentação de trabalhos, exposição de pôsteres, relatos de
experiências e atividades culturais, sociais e políticas.

IX ENAM – Encontro Nacional de Aleitamento Materno

TEMA: “Aleitamento Materno: Conquistando Saúde, Protegendo a Vida”
DATA: 03 a 6 de setembro de 2006
LOCAL: Salão de Atos – Reitoria da UFRGS - Porto Alegre – RS
PROMOÇÃO: IBFAN BRASIL – Rede Internacional em Defesa do Direito de
Amamentar
ORGANIZAÇÃO: Rede IBFAN Porto Alegre"
Publicado por clevane pessoa de araújo em 28/05/2006 às 23h32
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Copyright© 2005 by ClevanePessoa. Todos os direitos reservados.Criado e hospedado por Recanto das LetrasPágina atualizada em 28.05.06 23

27 maio 2006

Poesia Erótica

27/05/2006 11h30
Erotismo de poeta portoriquenho(Vicente Rodrigues Nietzche




Poeta Vicente R.Nietsche pertence ao grupo "La Poesia",onde sou inscrita.
Seus versos revelam a efervência poética da sensualidade necessária .O erotismo é leve,lúdico,povoado de imagens poéticas do cotidiano simples e esplendoroso a um só tempo,como deve ser- em dias e noites de paixão absoluta,na busca de prazer e entendimento.
Clevane

Há algum tempo,recebemos essas poesias:

Poesia 15


"Cuando te viene un orgasmo

las puntas de los senos

se te vuelven cristales...

Tiene tu vulva fuerza
de cuarenta huracanes.



Cuando toca el momento

que baja su corriente,

cierras los muslos

y los ojos abres;

dices poemas

y cantas como un ángel!"





16

"Removida la saya,

el zapato quitado

me asombré con tu cuerpo;

capá prieto moldeado...



Con esa curva grácil

de tu cadera negra

y los glúteos galanes,

me sorprendió tu forma,

su color, su entre juego.

Me aspiré tus olores
de tulipán prendido..."





17

"Con mi corazón te amo,

con mis pulmones soplo

hacia donde estés,

con mis uñas monto el aire

para buscar tus labios.

Ciego y peregrino

persigo tu voz.

Escucho las crecientes

olorosas de tus nardos..."





18

"Canela con miel

son tus palabras...

Sola en el mar

de espuma embarazada...



No te alcanzan mis ojos,

te afirmo en mis cantatas...

Tu linaje es risueño

como tus cañas.

Los timbres de tus versos

cuelgan como guirnaldas...



Te brindo caramelos

rojos, azules y blancos

desde mi patria."







19

"Alcanzo

el borde de tu labio,

tus caderas y senos.

Logro tu amor

pedacito de brizna

que palpa el aire

y lo hace sonar.



Tan a distancia,

tiento tu corazón

alzado,

como hoja que acaricia la fruta

en los redondos árboles..."





20

"Te debes de llamar
como una flor se llama.

Ondeadora de tul por las caderas.



Giradora en la crema de tu cuerpo.

Música pesada en el baile de tu pie.



La firma de Gardel sube a la escena..."





21

"Reconóceme en tu olfato de ciruela,

pálpame con tu gracia de gitana...

Por la harina balanceada de tu espalda

carga mi soledad.



Escóndeme debajo de tu falda..."





Vicente Rodríguez Nietzsche

PUERTORRIQUEÑO
Publicado por clevane pessoa de araújo em 27/05/2006 às 11h30

Policromia


Clevane Pessoa de Araújo Lopes
Março / 2000 a Fevereiro / 2001



Policromia



Minha alma translúcida
tinge-se de poente

— e o poente, de cores

como flores / num jardim.





Embriago-me de LUZ :



o branco em mim

se descontrai





nessa alma de prisma...





Saio, pela vida,

de expressão colorida,

espírito renovado

— ah, essa minha alma

cheia de im/perfeições

que, à semelhança dos vitrais,

quanto mais impura,

encantadora faz-se mais...



Em mim, refletem-se os tons

das escamas nas asas

das borboletas,

os tons/sons

das águas fulvas

das águas verdes

das águas brancas

das águas negras

das águas azuladas

das águas barrentas

prateadas,

douradas

pelo reflexo, em sua massa

misteriosa,

das areias, do lado, das pedras,

das algas, do céu, do barro,

do sol

e

da lua...

e

do sal



Coleciono verdes

tenros e antigos

— tantos matizes!

amarelecidos

enriquecidos...



As penas das aves, os sonhos,

os olhos das crianças, os cristais,

a Terra, a graxa, o petróleo,

os frutos, os minerais,

ah, as cores todas do mundo

eu carrego nesse meu espírito

profundo,



atravessador

de lugares

seculares,



nessa minha alma

sedenta de cor

e amor,

rimas banais

para belezas fractais

e possibilidades

infinitesimais...

clevane

Eu Que Amo o Amor





27/05/2006 12h32
Eu que amo o amor




Eu que amo o amor...


Clevane Pessoa de Araújo Lopes

Pelo Dia dos Namorados(12/06)

Eu que amo o amor,conheci-o antes
de que me oferecesses o teu,modelo
de paixão buliçosa e possessiva...
Eu que amo o amor,sabia
que não se ama apenas com palavras galantes,
-às vezes,sou até esquiva
quando me entregam de presente
tantas jóias caras num pequeno escrínio...
Eu,que amo o amor,entrego -te minha alegria
de te amar além do possível,
além das aparências...
E de alguma forma,fui contaminada
pelo vírus oportunista
do teu calor de chamas acariciantes.
Contigo aprendi que no amor
não existem coisas feias,
tudo é luminoso a brilhar
qual a sol em teias de aranha,
frágeis na aparência
e fortes na trama que nos apanha.
Agora,sei que não há possível cura
para o desejo de tua ternura.
Que vou morrer de amor,no amor
-quando a morte vier buscar-me,
esquiva e imprevista.
E partirei envolta na mortalha
dourada e olorosa desse amor
que abrasa e que consome.
Partirei,nua por baixo,despida
da falsa virtude,
depois que me ensinaste a entrega plena.
E volitarei a murmurar teu nome,
tu,professor de plenitude,
que me ensinaste a amar sem peias
a cantar segura e serena...
Publicado por clevane pessoa de araújo em 27/05/2006 às 12h32

Teus Odores




27/05/2006 15h02
Teus odores(MJFortuna)
A imagem belíssima a representar o equilíbrio amoroso,a confiança tota,a harmonia,chegou-me sem os devidos créditos.
se alguém conhecer o fotógrafo ou os personagens dessa dança,por favor,avise-me.






A sensualidade poética- marcante mas etérea -de Maria de Jesus Fortuna,embriaga os sentidos do leitor...
Clevane



Teus odores


Maria J Fortuna







Meu corpo

Rastreia teus odores

Como fera faminta

Percorre montanhas e vales

Vagabundeia nos deslizes

Onde o suor lambusa

Meus desejos manhosos

Eriça todos os pelos

Brinca de escorrega

De forma lúdica lânguida

Pulsa com o coração

Desperta a criança

Desperta a mãe

Desperta a mulher

E eu te respiro

Como se fosse morrer

A qualquer momento...
Publicado por clevane pessoa de araújo em 27/05/2006 às 15h02

25 maio 2006



O Cd "Aqua".organizado pelo poeta cantador Carlos Farias,está uma beleza(carlosfarias@terra.com.br).Meu cordel corría a Internet,qdo ouví falar dessa gravação.O outro Cd-book chama-se batukim Brasileiro.Tomara que musiquem minhas quadras...

Lavadeirinhas
Clevane Pessoa

Para amenizar a lida,
as lavadeiras de Minas
lavam cantando demais
o que lhes vai pela vida...

Rezam louvando a Maria,
cantarolam seus amores,
em coro choram suas dores,
sérias, mostram sua alegria,,,

Nas pedras batem os panos,
às vezes soltam risadas
enquanto dão suas braçadas,
as mesmas de tantos anos...

Às vezes, roupas perseguem,
que lhes fugiram das mãos,
os peixes são seus irmãos
por mais que os peixes o neguem...

Velho Chico, um grande rio,
acostumado às cantigas,
vê nelas grandes amigas,
a ninar seu passadio...

Os passarinhos se intrigam:
de que penas são tais vozes,
cantando lentas, velozes,
que sobre as margens se abrigam?

No Jequitinhonha, do Alto
cantam tanto as de Almenara,
que seu coro, qual jóia rara,
está num CD bem lauto...

Cantavam as ribeirinhas,
em Portugal, no passado,
e ao vir prá cá, com agrado,
trouxeram suas musiquinhas...

Por isso cantam as baianas
quando lavam na Abaeté,
linda lagoa - e com fé,
rezem sagradas, profanas...

Sobre madeira flutuante
- cada mulher tem seu porto
por questão de mais conforto
a cabocla lava expectante:

vigia se o boto aparece,
peixe em moço transformado,
um sedutor encantado
(senão a barriga cresce)...

As roupas brancas clareadas
à luz do sol, clareador,
ficam alvas, sim senhor
e depois serão engomadas...

São lindas as lavadeiras,
em belas coreografias
ensaiadas todos dias,
dançam e cantam faceiras

E esse show, sem ser ensaiado
toca qualquer coração,
pois corpos, braços, sabão,
são um todo sincronizado...


Desaparecem os cansaços
nas canções alegrezinhas
que são seus melhores traços
-Que cantem sempre,avezinhas!

21 maio 2006

Gyorgy Somlyó


Amélia Pais,que edita com Gabriel Impaglione,"Ilha negra",correspondente em Língua portuguesa de Isla Negra(em espanhol) e Isola Nera(em italiano),nos remete essa beleza de versos,do húngaro Gyorgy Somlyó.
Esses versos cumprem o fadário da espiral,por onde se vai-e-vem,oferecendo a imagem de infinito...A alegoria dos insetos volitando em torno da luz,apesar de antiga,aqui se renova,pelo estilo de versejar.Gostei muito.

Vale a pena também,visitar o site "Flores e Barcos da Amélia"(endereço ao abaixo)


Fábula-cosmogonia

Os insectos nocturnos em torno da luz
As estrelas em torno das estrelas
Os meus pensamentos em torno de ti
Eu em torno do nada
O nada em torno de mim

Os meus pensamentos em torno de si mesmos
Tu em torno dos meus pensamentos
O nada em torno de ti
Os insectos nocturnos em torno do nada
As estrelas em torno de mim

Eu em torno dos meus pensamentos
As estrelas em torno de ti
Os insectos nocturnos em torno das estrelas
A luz em torno dos insectos nocturnos
O nada em torno da luz

As estrelas em torno de si mesmas
Os insectos nocturnos em torno de si-mesmos
Tu em torno de ti mesma
Eu em torno de mim mesmo
O entorno em torno do entorno


györgy somlyó

encontrado em http://theresonly1alice.blogspot.com/

____________________________
Enviado por Amélia Pais
http://barcosflores.blogspot.com/

trovas e mais trovas...


Transito livremente da trova ao poema concreto,do soneto ao poetrix,do haicai ao cordel.Meu avô materno, Luiz Máximo,jornalista que era trovador e repentista,ensinou-me a amar as trovas.Aos sete anos,aprendi a metrificar,sentada no seu colo.Ele gostava de conferir a métrica,batendo com os dedos na mesa.Já idoso,quando foi ficar conosco em Bicas do Meio(hoje Wenceslau Brás),pedime que verificasse a contagem silábica de seus sonetos e trovas.Lembro de um cordel,que começava assim-e tento achá-lo com outras pessoas da família:
"Caro povo brasileiro
me preste toda a atenção
para a história de um vaqueiro
que se passou no sertão.
Era um moço verdadeiro,
pobre,mas de gente honrada(...)"

Gosto de métrica,embora seja através de versos livres que a Poesia aconteça em forma de derrames,na minha vida.Meu avô paterno era maestro e quando eu passava por natal(RN),pequenina, ele me pegava pela mão e me levava ao bar,solfejando,primo de João pessoa,muitas vezes, tocou no palácio.Gostava da brasileira cana e as tias ficavam indignadas porque a nora,mamãe,o deixava me levar ao boteco.Ela achava graça,pois sabia o quanto ele era carinhoso comigo.Depois, qdo iam buscar-me,eu estava sentada no balcão,saboreando doces,enquanto ele solfejava as peças que tocaria.Deve ter nascido daí meu gosto por doces,acrescido ao fato de mamãe ser boa doceira,além de parteira.

Hoje,quero colocar minhas trovas sobre os chamados "loucos".

"Muito louco, no hospício,
faz assim tanto escarcéu,
por ter passe vitalício
nos auditórios do céu"...

Por ouvir vozes "de fora",
quantos loucos, conectados,
com o Alto, sem demora,
são deste mundo afastados...

>>>***<<<

Com lucidez peculiar,
quantos "doidos são mais certos,
que os que pensam acertar
e se julgam muito espertos...

><*><*><*><*><

Parecem falar sozinhos,
os dementes, todavia,
traduzem, dos passarinhos
os recados e a magia...

***<>***<>***

Deve-se amar aos doidinhos
-são filhos de deus também
agem quais os passarinhos,
não fazem mal a ninguém...

(Do poster e do e-book Paná-paná,Chuva de Borboletas).

Meu pai,Lourival Pessoa da Silva,sempre nos levou,pelo exemplo,a não ter medodos insanos,dos loucos mansos.levava para mamãe alimentar alguns,Em Juiz de Fora,no Bairro Mariano Procópio,onde moramos,havia um que ficava,com ele,em nosso jardim da Rua Duarte de Abreu, a cantar:

"Almofadinha
come tripa de galinha
e vai dizer prá namorada
que comeu macorronada"...

Com papai,aprendemos a rir com eles,nunca deles.

Dois estranhos sob o plenilúneo

Respiravam profundamente.Os tecidos,mui lentamente,se preenchiam de invisível aroma.Tudo crescia,inchava.Os humores do corpo,escapavam dos poros...
De lá do Alto,o plenilúneo descia e redourava as peles ao ar livre.
Riquíssimos de desejo,saciados de gozo...Intermitentes canções que se evolavam a a partir de murmúrios e,num crescente,se tornavam uníssonas.
De um lado, o som grave, em arrancos fortes,de gozo do macho.De outro,a dulcíssima canção do verdadeiro orgasmo feminino...
Dois corpos que sabiam usar o corpo do outro.O próprio corpo.Nenhum perdia tempo em esperar que o outro,lutasse para satisfazer quem pedia.
Maduros-frutas prontas depois da solene fecundação...
Agora,o vazio pleno.
O relaxamento porejado de suor perfumado,a lassidão deliciosa.Os sumos a escorregar pelas pernas distendiadas...
Cada um,depois de mil afagos de reconhecimento e gratidão pela doação de um saber milenar,instintivo,mas altruísta e egocentrado,simultâneamente,recolheu a poeirinha de estrelas que ficou no ar,e a jogou dentro da própria alma.E ainda salpicou um pouco sobre a pessoa a seu lado-ambos se olhando com olhos de re/conhecimento.
Somente então,cada qual virou-se para o outro lado e adormeceu um para dormir um sono especialíssimo.Amanhã.Perguntariam ao doador,da energia intensa,qual era o seu nome...

Clevane Pessoa de Araújo Lopes,Belo Horizonte,maio/2006,série prismas de minicontos.